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domingo, 16 de agosto de 2015

FAQ do intercâmbio voluntário da AIESEC (Cidadão Global)

A AIESEC  é uma organização internacional de jovens estudantes voluntários. É a maior organização sem fins lucrativos gerida por jovens e a única que desenvolve liderança responsável e empreendedora por meio de intercâmbios realizados em parceria com organizações, instituições e negócios ao redor do mundo, nos mais de 120 países e territórios onde está presente ( descrição do site da AIESEC)
Em 2014 viajei 7 semanas pelo programa Cidadão Global trabalhando como voluntária em um projeto de artes com crianças de 4 a 12 anos em Córdoba, Argentina. Como o meu intercâmbio foi realizado em 2014, alguns procedimentos podem ter mudado na AIESEC.

* Como faço para para me inscrever?
Você precisa estar matriculado em algum curso (graduação ou pós graduação  )ou ser formado, e ter entre 18 e 30 anos.
Preencha o formulário neste link do site. Mesmo que já conheça alguém da AIESEC, esse formulário precisa ser preenchido e enviado. Depois algum membro da AIESEC entrará em contato com você para marcar uma "reunião". Eles irão te falar tudo o que escrevi nesse post. 

* Para quais países que eu posso ir?
No Cidadão Global os destinos são: América do Sul, Leste Europeu, Ásia e Oriente Médio. Em 2014 havia 124 países disponíveis. A AIESEC do Brasil tem uma black list de países para onde eles não enviam intercambistas: Tunísia, China, Malásia, África do Sul e Camarões. Alguns países não possuem AIESEC, então não tem como fazer intercâmbio lá. 

*Como é escolhido o país e o local de trabalho?
Essa é uma das partes mais interessantes de fazer intercâmbio com  a AIESEC. Não é como aqueles pacotes fechados das agências. Você é cadastrado no sistema, preenche o seu perfil e procura as vagas. Elas podem ser filtradas por países, cidades, datas ou área de interesse. As vagas de trabalho voluntário são na maioria em projetos sociais, ongs ou escolas ( públicas ou particulares). Há projetos com crianças, adolescentes, idosos e também animais. Na página de cada projeto tem a job description (descrição da vaga). Lá está escrito a descrição e o objetivo do projeto, o que eles esperam dos intercambistas, quantos dias por semana você vai trabalhar, se eles providenciam alimentação, host, transporte, etc.
Se a vaga te interessar, você dá um "apply" na página. Depois eles enviam um email marcando a entrevista por skype. Após a aprovação há o processo de match, ou "casar a vaga", onde começam a ser enviados os documentos e a fee (taxa) é paga.

* Preciso saber outro idioma?
Depende. Se a entrevista for para  países que não falam espanhol é indispensável inglês, pois é o idioma pelo qual será realizada a entrevista e que você se comunicará com o pessoal da organização antes e durante o intercâmbio.
Na América do Sul dá pra se virar com um portunhol. Na minha opinião e por experiência própria, mesmo indo para a América do Sul é bom saber inglês também. Motivos: os documentos que você irá receber, enviar e  assinar são em inglês. Eu trabalhei com duas intercambistas: da Alemanha (falava inglês e espanhol) e de Portugal. Imagina se eu tivesse trabalhado com pessoas da China ( que estavam antes no projeto) e que só falavam inglês, e eu só falasse espanhol? Ficaria incomunicável com elas. Eu falo inglês intermediário e lembrava alguma coisa dos dois anos de espanhol que tive na escola, e que acabei aprimorando lá. Mas acho que o inglês foi até mais usado que o espanhol, mesmo sendo na Argentina.

* Quantas horas por dia vou trabalhar?

Cada projeto tem o seu horário. Eu trabalhava das 10:00 às 16:00 de segunda à sexta, sempre no mesmo local. Mas há projetos onde precisa trabalhar no sábado, ou que acontece em diferentes lugares. Tudo isso está na descrição da vaga.

* Onde vou morar?
A AIESEC da cidade onde você irá morar cuida disso. Na maioria dos casos fica-se na casa de alguma família, mas tem intercambistas que moram no local de trabalho. Imprevistos acontecem, pode ser que a sua host family não possa mais te receber em cima da hora e você tenha que ficar em outro lugar. Eu mudei de host family três vezes. A primeira host viajou com a mãe para a Colômbia por 3 semanas, quando voltou a prima se mudou para a casa dela e ocupou a minha cama rsrsr. Na segunda host family um dos membros precisou fazer uma cirurgia na perna e passou a usar o meu quarto durante a recuperação. Pergunte essas coisas antes de viajar, para não ter nenhuma surpresa durante a viagem, fui avisada sobre a possibilidade dessas coisas logo na entrevista.
Se você quiser também pode hospedar um intercambista na sua casa. Se a sua cidade tem AIESEC, é só se inscrever no site.
* Há algum  auxílio para transporte e alimentação?
Cada projeto é um caso. No meu projeto eu ganhava almoço ( e muito bom) no trabalho e precisava pagar o ônibus, que custava menos da metade do que eu pago no Brasil. Essas coisas estão  escritas na job description, procure.

* Vou receber para trabalhar?
A AIESEC  tem dois programas de intercâmbio: o cidadão global ( o que eu fiz), que é trabalho voluntário e o talentos globais que são intercâmbios profissionais e pagos. Eu não recebia para trabalhar, pois os projetos são em lugares que  nem têm condição para isso. 

* E as passagens, documentos, vistos, vacinas, passaportes?
Você é quem vai pesquisar sobre o seu destino, verificar  o que precisa e correr atrás.  A AIESEC ajuda com qualquer dúvida você tiver, mas não vai com você comprar passagem ou  tirar visto. 

* Quanto vou gastar ?

Os gastos que todos terão antes de viajar são:


*Fee ( taxa da AIESEC): é única coisa que você paga para a AIESEC, custa R$1500 (quando eu fui custava R$740 ). 

* Seguro viagem: é obrigatório. O preço depende do país e de quantos dias você vai ficar, o meu custou R$340 ( 9 semanas). Se por acaso precisar cancelar eles estornam o valor completo em 1 mês. assist card tem  parceria com a Aiesec.

* Passagem:R$890 (Curitiba-Córdoba). Saiu caro, comprei um mês antes de viajar.

*Passaporte: os países membros do Mercosul ( Argentina, Chile, Bolívia, Uruguai, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela e Paraguai) não exigem passaporte e aceitam a entrada apenas com a identidade. 

* Visto:  como o cidadão global dura de 6 a 8 semanas, dá pra viajar com visto de turista. o Brasil tem visto de turista ( geralmente 90 dias) para mais de 100 países. 

Mesmo indo para o lugar mais perto que conseguir, de  R$4.000 - R$5.000 não tem como fugir. Se você puder ir somente nas férias o preço da passagem aumenta bastante.

Vamos supor que você vá para a América do Sul, uns R$1500 é certo que irá gastar na passagem, ou mais. Agora some a taxa da AIESEC ( +R$1500) e o seguro viagem ( cerca de R$400) já são cerca de R$3.500 e você ainda precisa de uma reserva para se virar lá. Com certeza você vai querer viajar, não vai ir para outro país, ficar 6 semanas na mesma cidade e não conhecer nada a mais não é? Toda cidade tem algo legal por perto para dar aquela esticada no fim de semana, ou alguma atração turística maior que com certeza você vai querer ir. 

*Como saber quanto dinheiro preciso levar?


Os gastos além dos citados acima dependem do país que você vai visitar, das taxas de câmbio, do seu perfil de gastar o dinheiro e de quanto tempo vai permanecer. Exemplo: eu fiquei 7 semanas trabalhando e 2 viajando ( Patagônia e Chile).  A Argentina tem uma moeda desvalorizada em relação ao real, é um destino barato e eu economizava até o último centavo rsrsr. 

*IMPORTANTE!
*Par ter noção dos gastos, pesquise sobre o local que você irá morar , o que tem nas cidades ao redor pra onde pretende viajar nos finais de semana e no final do projeto.
*Tenha em mente que você irá gastar com transporte (de algum modo terá que se locomover pela cidade) e comida, mesmo que almoce na ONG e na host family. 
* Eu tinha um caderninho onde anotava tudo o que gastava, cada alfajor ou passagem de ônibus. Os números abaixo são bem exatos em relação ao que eu gastei. Toda semana eu somava e verificava quando ainda havia, para não ter surpresas depois já que fui com o dinheiro contado e não podia bobear.


TOTAL DE GASTOS NO MEU INTERCÂMBIO:

Junto com o transporte, comida, compras, viagens, etc, gastei pouco mais de R$4000 no total ( antes e durante o intercâmbio).

20 fatos sobre a Argentina

1. No espanhol falado na Argentina a letra y tem som de uma mistura "jota com x". Então se come maxonese ( maionese), pratica xoga ( yoga) e toca teclado da xamaa (Yamaha).

2. Acha os motoristas brasileiros malucos? Em Córdoba pode ter 30 pessoas na faixa de pedestres, eles não param. Então sempre algum corajoso meio que simula que vai "se atirar" na frente do carro( sério ahahah), aí os motoristas param. Até quando fecha o sinal eles hesitam em parar.

3. Na Argentina tem mulher dirigindo ônibus, bonde táxi, em uma quantidade que nunca vi no Brasil.

4. O Brasil exporta muita coisa da sua cultura - principalmente música - para América do Sul, principalmente a Argentina. Conheci pessoas que sabiam cantar aquela música dos Tribalistas "eu gosto de vooocê", sério ahahah. E também  um boliviano que sabia o que era Saci-pererê. Mas sei lá porque não conhecemos quase nada deles e dos demais países.

5. A cada 10 argentinos que eu conheci, 7 ou 8 há vieram para Santa Catarina! Os destinos mais comuns são Balneário ( que eles chamam de Camboriú), Bombas, Bombinhas, Jurerê e praia dos Ingleses.

6. Os argentinos são movidos à mate, já vi pessoas às 07:00 no ponto de ônibus com uma garrafa térmica numa mão e a cuia de mate na outra.

7. Além do matte tem o tererê, feito com tang e erva mate.

8. Caipirinha só é feita de vodka, a "caipiroska".

9. Há academias com aula de dança que fazem coreografia com "Ai se eu te pego".

10. Nos prédios ontem não há porteiro ou segurança ( como o prédio onde eu morei), pode-se fazer rave até 06:00 em qualquer dia da semana. Mas se tiver segurança você pode-se ser "convidado a se retirar" por falar alto demais, como nós fomos kkk.

11. As pessoas se esforçam mais do eu que eu pensei que fariam para entender portunhol.

12. Não vi nenhum banheiro com box, todos tem aquela cortina de plástico que molha o banheiro todo e fica grudando enquanto você toma banho. E sempre tem um rodo para tentar secar a piscina que fica depois.

13. Na Argentina gaúcho é o nome da pessoa que trabalha no campo. Alguns pensam que gaúcho é todo mundo que nasce no sul do Brasil...:-(. Eles também usam boina, bombacha e aquele lenço no pescoço.

14. A torta de bolacha é colocada no freezer e com muito doce de leite, dá até um troço de tão doce. 

15. "Asado" é qualquer carne colocada no forno, como frango assado. Churrasco também é chamado de asado. Não há a famosa "televisão de cachorro" do Brasil, ia fazer sucesso aqui.

16. Quando eu falava que no Brasil fazem pizza doce, 90% das pessoas ( argentinos e pessoas de outros países) achavam uma coisa horrível. E os que vieram ao Brasil e comeram feijoada e arroz acharam a mistura muito esquisita.

17. Geralmente qualquer tipo de comida não vem em mais de duas versões. O croissant - que chamam de factura - existe somente com doce de leite e creme. No Brasil tem de frango, chocolate, queijo, presunto, etc. A única coisa com variedade eram as empanadas. 

18.  Eles acham o buffet de sorvetes e o rodízio de pizzas do Brasil ideias incríveis. Buffet ( de almoço, não sorvete) eu só vi em um lugar, e chamam de tenedor libre ( garfo livre). 

19. Come-se somente um ou dois tipos de comida no almoço, ao contrário daqui, onde fazem salada, carne, macarrão, arroz e outras coisas.

20. A temperatura dos chuveiros é regulada com dois registros ( um quente e outro frio). Eu não consegui aprender a equilibrar os dois na primeira tentativa, ou a água ficava fervendo ou muito gelada. E depois de um tempo a temperatura muda e precisa-se mexer nos registros de novo, e de novo...

Trabajando en el Centro Esperanza - trabalho voluntário em Córdoba

Estou em um intercâmbio de sete semanas em uma ONG chamada Centro Comunitário Esperanza no bairro Guiñazú, a cerca de uma hora do centro de Córdoba. O local é coordenado pela Inês e algumas pessoas de sua família. As crianças vão ao centro no contraturno da escola. O trabalho é das 10:00 às 17:00, com pausa de uma hora para o almoço muito bom que a Inês faz.  As crianças têm entre 6 e 14 anos. Trabalho junto com uma portuguesa e uma alemã. 
O trabalho voluntário que estou fazendo é um pouco diferente do que pensávamos ser e lemos na descrição da vaga. Não há turmas, as crianças vão quando querem, então algumas estão lá todos dos dias no mesmo horário, outros uma vez por semana ou ficam apenas para realizar as tarefas da escola e vão embora. Muitas vezes o nosso plano lindo e maravilhoso não servia pra nadica de nada porque não havia crianças suficientes para fazer as coisas, ou só os bem pequenos, o que significa que precisávamos pensar muito rápido sobre outra coisa para fazer. Em alguns dias não havia crianças para fazermos as atividades, apenas os mais pequenos com idade entre um e três anos. A escola estava em reforma nas duas primeiras semanas, sem banheiro e com um vai e vem de pedreiros, então fomos apenas em alguns dias porque não tinha nem onde ficarmos. Não há muita comunicação entre o projeto e a AIESEC, então  nunca sabíamos de nada. 
O que acontece é que quando chegamos de manhã só há as crianças muito pequenas. Alguns maiores chegam perto das 11:00 e precisam ir embora ao meio dia por causa da escola. Somente na quarta semana apareceram crianças maiores à tarde.  Para não ficarmos sem fazer nada, ( quando não podemos fazer o que viemos aqui fazer),  ajudamos a cuidar das crianças menores, planejamos outras  atividades e pintamos desenhos em algumas paredes. Falamos com a AIESEC daqui, mas nessa altura não podem fazer nada para mudar. Não podemos obrigar as crianças a ir ao centro ou mudar de projeto. 
O projeto não tem algum cronograma que devemos seguir, o tema é artes, liderança e falar da nossa cultura. As intercambistas que estavam antes de nós planejavam as atividades como "semana temática", o que era feito girava em torno de um tema principal escolhido a cada semana, como por exemplo sistema solar, animais, culinária, etc. A nossa primeira semana foi "semana de los animales", incluindo confecção dos animais usando garrafas, música, jogos de liderança, criação de histórias e teatro com os fantoches e histórias criados pelos alunos.
Essa menina com o fantoche é a Luz, toda vez que passávamos na frente da escola ele já vinha pulando na gente.
Dá pra sentir a agonia do gato só pela cara dele ahahahhaha!
A dança das cadeiras onde ninguém perde, no final todo mundo se amontoa numa só!