sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Passeio de jangada em Porto de Galinhas

As charmosas jangadas coloridas são o cartão postal de Porto de Galinhas, levando os turistas às piscinas naturais que se formam durante a maré baixa. Os peixinhos enfeitam as piscinas, complementando o visual paradisíaco. Provavelmente esta é a impressão que todos têm olhando as fotos turísticas, não é?  O que você vê nas fotos depende muitos fatores, vou explicar aqui para você não se decepcionar durante a viagem.

O passeio custa R$40,00 e é comprado no guichê da associação de jangadeiros no centrinho de Porto de Galinhas. Você recebe um ticket e vai em direção às jangadas estacionadas na praia. As jangadas saem conforme enchem, os jangadeiros indicam a jangada que você vai ir. As jangadas saem uma hora antes do horário da maré mais baixa do dia, então fiquei atento na hora da compra. A viagem é bem curta e com a maré baixa você pode ir nadando até as piscinas, não é necessário ir de jangada.


O segredo para não se decepcionar com os passeios:

Os passeios saem de acordo com o horário de maré baixa, ou seja, todo dia eles saem em um horário diferente. A maré indicada para os passeios de jangada é 0.5 ou menos, pois as piscinas naturais ficam submersas durante a maré alta.

A maré alta ocorre durante as luas minguante e crescente, e a maré baixa durante as luas cheia e nova. Todos os dias ocorre duas vezes a baixa mar ( maré mais baixa do dia ) e a preia mar ( maré mais alta do dia ).  Nas luas minguante e crescente, a maré baixa ocorre ao final da tarde ou à noite, impossibilitando os passeios ou deixando as pessoas com a água no pescoço nas piscinas. Durante as luas cheia e nova, a maré baixa ocorre durante a manhã ou até o meio dia, tornando possível o passeio para as piscinas naturais. As fotos que você vê com as piscinas rasinhas e água azul são tirada na maré baixa.

Programe a sua viagem para não cair em dias de maré alta e prejudicar os passeios de jangada. Eu fiquei cinco dias em Porto de Galinhas e nos primeiros dias a maré estava alta, baixava somente no fim da tarde para 0.6 ou 0.7. Assim não conseguia aproveitar a praia e as piscinas, pois a maré mais baixa do dia ainda ficava muito alta para os passeios. 

Eu fiz dois passeios de jangada: com a maré 0.4 ( boa para os passeios ) e 0.7 
( maré alta ). O passeio com a maré alta foi às 16:00, a água batia no meu pescoço, estava um pouco turva e a visibilidade não estava boa por causa da luz do sol. As piscinas estavam lotadas, havia muitas crianças gritando, todos se esbarrando e tirei um garfo de plástico e uma garrafa plástica da água. Era até inútil tentar usar o snorkel com tanta gente esbarrando em mim. Antes de a jangada atracar na praia paramos em um lugar mais afastado da piscina onde havia muitos peixes e somente os turistas que estavam na jangada. No fim foi um passeio bem farofa e aproveitei pouco, pois não ficamos muito tempo lá.



Eu fiquei muito frustrada e resolvi dar uma outra chance ao passeio. Cheguei na praia às 07:00 e a maré estava 0.4. Havia poucas pessoas na praia e consegui tirar fotos incríveis. Nem preciso falar que o passeio foi totalmente diferente, havia poucos turistas, a água das piscinas estava azul claro e a visibilidade muito melhor devido à luz do sol.




Você já deve ter visto fotos de turistas sentados na borda das piscinas e os peixinhos "mordendo" os pés. Acredito que são fotos antigas, pois há uma área demarcada onde pode-se andar sobre os corais e nas piscinas da foto não pode tomar banho. Se for analisar, pisotear os corais já causa um impacto ambiental, sentar nos corais e mergulhar nestas piscinas pequenas pior ainda.




O tempo para fica nas piscinas é controlado, logo voltamos para a jangada e paramos em um local para fazer snorkel. Os jangadeiros têm sempre uma garrafinha com ração para chamar os peixes e fazer a alegria dos turistas. Mas os peixes estão condicionados a ser alimentados, se você fechar a mão debaixo da água eles vêm em bando pensando que é ração...

As piscinas são somente para contemplação, o mergulho foi em um local mais afastado. Se não houver controle ambiental em alguns anos não poderemos nem vê-las. Apesar de curto o passeio de jangada foi muito melhor do que o anterior. Se você quer tornar o passeio memorável procure o combo: horário cedo, sol e maré baixa.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Passeio de Buggy em Porto de Galinhas

O passeio de buggy "ponta a ponta " em Porto de Galinhas percorre as praias de Maracaípe, Muro Alto e Cupe.  É um dos passeios mais procurados, e pode ser comprado  nas agências ou no centrinho com algum dos vários vendedores que ficam na rua. Ao contrário do que muitos pensam, Porto de Galinhas não é uma cidade e sim uma das praias do município de Ipojuca, bem como as demais praias que visitamos durante o passeio de buggy.

O passeio dura mais ou menos 3 horas e custa de R$300 a 350 o buggy ( valor dividido em 4 pessoas). Como eu estava sozinha foi um pouco difícil conseguir este passeio, pois a maioria das pessoas já tem o seu grupo de 4 pessoas fechado. Consegui um buggueiro que fez o passeio só pra mim por R$220,00. 

Aconselho a fazer este passeio de manhã cedo ou no fim da tarde. Eu fui perto das 11:00 e voltei às 14:00, fiquei andando de buggy no sol forte e no dia seguinte de manhã estava tonta e com febre, à tarde a febre aumentou e comecei a suar frio em um quarto sem ar condicionado. Fui para o posto de saúde e descobri que estava com insolação e precisei tomar soro na veia.

O buggy estava estacionado em uma rua perto do centrinho e fomos direto para o coqueiral de Maracaípe. Eu me hospedei por um dia em Maracaípe quando cheguei, a praia tem uma paisagem e uma vibe bem diferentes da sua vizinha Porto de Galinhas. Com ventos e ondas fortes, atrai surfistas, praticantes de windsurf e paramotor. O coqueiral no início da praia é parada obrigatória para fotos. 



As fotos aéreas no buggy são tiradas pelo "drone humano", uma pessoa que fica no alto do coqueiro sentada numa cadeira amarrada na árvore. Um menino pega o celular e coloca em uma bolsinha, que sobe por uma corda até o "drone". Eles cobram R$5,00 pela "sessão de fotos". 


Depois do coqueiral continuamos o passeio pela praia de Maracaípe, seguindo depois para a praia do Cupe. Possui 4,5 km de orla, sendo uma mas maiores da região. O buggy parou em uma estacionamento e ficou me esperando. Fiquei bem pouco tempo na praia, pois  ondas fortes impossibilitavam entrar na água, a praia estava extremamente lotada na areia e os caríssimos restaurantes pé na areia impediam qualquer espécie de diversão.


Diferente das vizinhas Porto de Galinhas e Cupe, a praia de Muro alto é bem mais tranquila e menos movimentada. As águas mornas e calmas são decoradas pela barreira de corais que dá nome à praia. É possível chegar ao "muro alto" somente de caiaque ou barco. Os arredores da praia possuem uma enorme oferta de resorts, passamos de buggy por vários deles.




Uma coisa triste que vi durante toda a viagem em Porto de Galinhas é que praticamente não há faixa de areia, quase todo o espaço foi tomado pelos restaurantes pé na areia e suas mesas de plástico para socar cada vez mais turistas em um pequeno espaço. Pelo menos não havia as caixas de som ensurdecedoras como em Maragogi.
A praia de Maracaípe me agradou por ter uma vibe diferente, é menos turística do que as demais praias. Em Maracaípe, principalmente no pontal, ainda é possível descansar e curtir a paisagem ao som do farfalhar das folhas dos coqueiros...

sábado, 30 de outubro de 2021

Cachoeira do Rio Laeisz - José Boiteux

José Boiteux é uma cidade localizada na região do Vale do Itajaí em Santa Catarina. Com cerca de 5.000 habitantes, é conhecida pelas suas cachoeiras, destacando-se a Cachoeira do Rio Laeisz, Cachoeira Wiegand e Cachoeira do Encontro. A cidade também é conhecida por abrigar a Reserva Indígena Duque de Caxias e a Barragem Norte, construída para diminuir o efeito das enchentes no Vale do Itajaí.


O local de início da trilha não possui infraestrutura turística, apenas uma singela placa informativa na porteira que dá entrada para a trilha. Eu fiz a trilha com a @terramediatrekking de Blumenau, e eles têm uma "parceria" com o frigorífico que fica do lado do início da trilha, então pudemos utilizar os banheiros deles e estacionamento. Mas se você for por conta própria não poderá fazer o mesmo trajeto, terá que entrar por outro lugar.

Para chegar até a cachoeira há  uma trilha com 2,2 km de extensão, com grau de dificuldade moderado e duração de 1 hora. Em algumas partes da trilha é necessário cruzar o rio, descer escadas e partes íngremes com subidas e descidas com cordas de apoio. 






No final da trilha encontra-se a parte mais difícil: transpor enormes e escorregadias pedras, sem possibilidade de fazer o trajeto pela água. Nesta altura já podíamos ouvir a ver a cachoeira, mas ainda tínhamos obstáculos a transpor. Contamos com a ajuda dos guias que sabiam o melhor lugar para pisar e colocar as mãos, pois havia muito limo nas pedras. Havia alguns turista fazendo a trilha por conta própria, e precisaram da ajuda dos guias para chegar até a cachoeira. 




Foto: @carlosklug

O Salto do Rio Laeisz possui cerca de 50 metros de altura. Formado pelas águas do Rio Laeisz, a cachoeira escorre imponente por  um paredão, formando uma piscina com uma forte queda, cuja correnteza frustra quem deseja dela se aproximar.  Quando os raios de sol tocam o cânion, refletem na água formando um pequeno arco íris...




quinta-feira, 22 de julho de 2021

Fazenda San Francisco - um dia no Pantanal

 O pantanal é um bioma que abrange o Brasil, Paraguai e Bolívia, tendo no Mato Grosso do Sul 65% de sua extensão. Considerado a maior planície alagada contínua do mundo, se estende pelos municípios de Ladário, Corumbá, Aquidauana, Anastácio e Miranda, onde está a localizada a Fazenda San Francisco. Localizada a 160 km de Bonito, a Fazenda San Francisco tem opção de hospedagem no local ou day use com safari fotográfico e passeio de chalana, passeio vendido nas agências de Bonito.


O ônibus saiu às 05:30 de Bonito em direção à Fazenda San Francisco. No caminho paramos em um hotel para tomar café da manhã ( pago à parte). Na Fazenda San Francisco não tem café da manhã no day use, é bom comer algo reforçado antes dos passeios. Chegamos às 08:00 e fizemos o "check in" do passeio na recepção. ÀS 08:30 entramos no carro de safari que nos levou a um pequeno porto onde fica a chalana. Logo depois de escolhermos nossos lugares a chalana partiu. Ambos o primeiro e o segundo andar são bons para tirar fotos, em cada lugar você consegue ângulos diferentes. Eu fiquei um pouco em cada andar para conseguir tanto fotos com vista panorâmica no segundo andar e mais perto dos animais no primeiro andar.

A chalana navega devagar e tranquilamente pelo rio Corixo São Domingos, um dos braços do Rio Miranda. Ao longo do trajeto a chalana vai formando um desenho pelas plantas aquáticas, rastro de sua viagem pelo rio. Logo no início do passeio, já é possível avistar vários dos moradores mais imponentes: os jacarés. Alguns aparecem nadando sozinhos entre os iguapés ou em grupo, parados no canto do rio, parecendo que esperam por algum animal distraído aparecer...


O passeio segue em meio ao silêncio do rio, quebrado somente pelo suave som do barco ou pelo mergulho de alguma ave. No roteiro do passeio estava incluído a "pescar artesanal de piranhas", que na verdade são pessoas que não sabem pescar jogando o anzol na água e esperando pescar alguma coisa rsrs. Alguns turistas conseguiram pescar piranhas pequenas, que logo foram devolvidas ao rio.

No mesmo local da pesca de piranhas havia uma concentração enorme de jacarés. O barco parou bem ao lado deles, que ficam imóveis e com um sorriso malicioso, que deixa em dúvida se estão posando para as fotos ou querendo dizer: chega mais perto turista idiota! hahah



Alguns jacarés ficavam imóveis sobre as plantas e outros nadavam ao redor da chalana. Segundo o guia não precisávamos nos preocupar, pois eles estão acostumados e não iriam invadir o barco em bando para nos comer. Este jacaré foi apelidado de "Lulinha", pois tem uma pata faltando rsrs. Provavelmente perdeu-a em alguma briga com outro jacaré.


Depois da observação de jacarés e a pesca de piranhas, a chalana seguiu para um ponto onde paramos para a guia alimentar o jacaré. Demorou um pouco, mas o jacaré saiu da água, deu um pulo e comeu a isca! Olha eles vindo na foto...


Depois do show dos jacarés foi a vez da garça treinada, a Maguary (que é também o nome da espécie dela). Ela ia e voltava no braço da guia que também treinava os jacarés.

A chalana retornou ao ponto de partida e voltamos com o carro de safari para a Fazenda San Francisco. Antes do almoço assistimos a uma palestra com um biólogo do Instituto Pró Carnívoros, que trabalha com a preservação de canídeos ( lobo-guará, cachorro-do-mato, raposa), felídeos (gato-do-mato, onça, jaguatirica), mustelídeos ( furão, lontra, doninha ), mefitídeos ( cangambá e zorrilho) e procionídeos ( quati, jupará e mão-pelada). Havia várias crianças na palestra, apesar de ser algo mais científico ( com slides, dados e gráficos sobre as pesquisas), eram sempre as crianças que faziam perguntas e demonstravam interesse na palestra.

Depois de aprender sobre os carnívoros pantaneiros, fomos almoçar. O almoço é típico pantaneiro com carnes, massas, arroz e saladas. A sobremesa é igual aos passeios em Bonito: doce de leite e queijo branco. O redário e a piscina estavam à disposição de quem fazia o day use, mas apesar do sol a água da piscina estava muito gelada.



O day use na Fazenda San Francisco é vendido pelas agências de Bonito como os demais passeios, mas a estrutura, organização e atendimento deixam muito a desejar comparado com os outros passeios em Bonito. O almoço não estava ruim, mas sabe quando a comida não é feita e posta na mesa com o devido cuidado? Parecia tudo um pouco jogado e feito de qualquer jeito, nada comparado aos almoços que fiz nos outros passeios. Fomos informados que o passeio de safári fotográfico seria depois do almoço " lá pelas duas da tarde". Eu perguntei várias vezes se já era hora de ir para o passeio e sempre me pediam para esperar. Eu comecei a perceber que o pessoal que veio de ônibus comigo não estava mais no redário... fui na entrada da fazenda e vi todo mundo já no carro de safári quase saindo. Eu e mais algumas pessoas estávamos "atrasados", pois segundo eles iriam chamar e não ouvi ninguém chamar e inclusive perguntei várias vezes sobre o horário de saída.

Nossa guia tinha uma visão muito apurada para avistar os animais e rapidamente avisava ao motorista, que parava o carro para que pudéssemos observar. O primeiro animal avistado foi uma enorme sucuri, que não aparece na foto, nenhum zoo consegue identificá-la. Mas ela estava lá, enrolada com um nó em meio descansando na planície alagada. Entre os animais que vivem na reserva estão a capivara, cervo, jacarés, aves e a onça, a mais rara de ver e a mais esperada pelos turistas.


Depois da sucuri avistamos vários cervos-do-pantanal, que pareciam não se importar com o carro, somente com a horda de turistas barulhentos que os observava. Mesmo com as os pedidos de silêncio da guia, o pessoal insistia num alvoroço desnecessário na hora das fotos. Aconselho a sentar nos bancos da ponta para evitar passar por cima dos outros na hora de tirar fotos. 



A Fazenda San Francisco possui uma área destinada à fazenda e um para preservação, mas os animais vivem livremente e acabam transitando nos dois espaços, como aparece na foto. Como estamos em uma área de preservação e não em um zoológico, temos que contar com a sorte ( e o silêncio dos turistas ) para avistar os animais. 

No meio do safari descemos do carro para fazer a trilha do Carandá, que  é uma trilha suspensa sob a mata ciliar do Rio Miranda. Não avistamos nenhum mamífero, somente pegadas e anta e onça, que segundo a guia eram pegadas frescas.



Quando saí de Bonito às 05:30 a temperatura estava 4º C, mas perto do meio dia o tempo esquentou absurdamente. Eu fui com duas blusas de manga comprida e um casaco, pois era julho e não acreditei que a temperatura pularia de 4º C para 30º C. 
Seguimos para o final do safari a avistamos algumas famílias de capivaras nadando no rio. Onde eu moro tem várias capivaras que vivem no barranco do rio e sempre achei que elas não faziam som, pois nunca tinha ouvido. Eis que elas começam a fazer um grito de alerta, o que para mim mais parecia um latido. Enquanto uma das capivaras gritava, as demais nadavam rapidamente junto a ela, parecendo bem desesperadas. Elas só emitem este som quando há sinal de perigo...


 Alguns segundos depois vimos qual era o motivo do latido: a tão esperada onça! Ela não comeu nenhuma capivara, passou nadando ao lado do carro e atravessou a estrada correndo rapidamente por trás do carro. 


No final do safari conseguimos ver novamente a onça ( será que era a mesma?). A guia avistou bem de longe no meio do capim e pediu para o motorista parar o carro enquanto nos concentrávamos para encontrar a onça. A cor do pelo se mistura com a cor do capim na estação seca, facilitando o esconderijo da onça pintada. A onça está nesta foto, acreditem 😂. Se der um zoo você encontra, está bem no meio da foto.


A onça foi a última atração do safari, na volta avistamos aves e muitos jacarés. Voltamos para a fazenda onde um lanche nos esperava ( café preto, suco, pipoca e bolo inglês). Como havia comida na mesa alguns papagaios apareceram atrás da comida. Eu entendo que uma criança às vezes não sabia que animais não podem comer comida cheia de sal, açúcar, corante e produtos químicos, mas um adulto alimentar as aves com várias placas pedindo para não fazer é o cúmulo do absurdo. Quando vi uma mulher dando aquela pipoca com 10 kg de sal para os papagaios falei que não podia, e ela perguntou "quem disse que não pode"? Logo vieram os funcionários tirando os papagaios da mesa e dando  a maior bronca no pessoal que não leu as várias placas ( várias mesmo ) avisando para não alimentar os animais. Depois do lanche retornamos ao ônibus em direção à Bonito.


Aracuã