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terça-feira, 26 de julho de 2016

Puerto Iguazu além das cataratas

Puerto Iguazu é uma cidade com cerca de 80.000 habitante, a 18 km de Foz do Iguaçu. Há vários programas além das cataratas como compras no Duty Free, Icebar, Cassino e etc, e que estão fora do meu orçamento hehe. Vamos agora aos divertimentos mais "roots".

Feirinha de Puerto Iguazu:

Esse é o local onde dá pra comprar alfajor a preços ridículos, e doce de leite, azeitona, queijo e temperos. O local é bem pequeno, mas tem vários barzinhos com empanadas e comida brasileira.




La Aripuca:

Aripuca é o que conhecemos por arapuca no Brasil (aquela armadilha), e  lá construíram uma réplica gigante. Mais uma vez a bateria do meu celular me traiu e não tenho fotos, apenas uma das fotos abaixo é minha. O local foi construído com madeira resgatada do corte ilegal, a árvores da entrada têm mais de 200 anos. Além das lojinhas há sorvete de erva mate e rosélia. 
Os ônibus que saem do terminal passam na Aripuca. Entrada: AR$90. 

Fonte: http://www.welcomeargentina.com/paseos/la_aripuca/la-aripuca-2.jpg
Fonte: http://www.aripuca.com.ar/espanol/images/banner_01.png


Jardin de los picaflores:

O jardim fica em uma casa onde vive uma família argentina-brasileira. A aves não "moram" lá, os beija-flores e outras espécies vêm visitar o jardim todos os dias. Entrada: AR$50.
                                   






segunda-feira, 25 de julho de 2016

Cataratas do Iguaçu - lados brasileiro e argentino

Eu fui nas cataratas duas vezes. A primeira foi em julho de 2016, estava extremamente frio e qualquer pingo de água que encostava em mim parecia uma tortura. A segunda foi em julho de 2017, quando eu tinha um conexão para o Peru com 6 horas de espera e resolvi aproveitar que as cataratas ficam a 10 minutos do aeroporto e matar tempo. Neste dia havia sol e estava muito abafado, com certeza aproveitei bem mais do que quando estava tremendo de frio tempo todo. Com o tempo assim dá gosto de "tomar um banho" nas cataratas.
Na primeira vez que fui resolvi conhecer os dois lados das cataratas e dividi a viagem em 4 dias em Foz do Iguaçu (em um deles com um bate e volta no Paraguai) e 4 dias dias em Puerto Iguazu. Acontece que Foz do Iguaçu é uma cidade sem muitos atrativos além das cataratas e Itaipu. Se eu soubesse disso antes teria me hospedado lá por menos tempo, dava pra fazer tudo em dois dias. 
O ingresso pode ser comprado antecipado pela internet ou com cartão de crédito nas máquinas de autoatendimento no parque mesmo. Para ir da entrada do parque até as cataratas há um ônibus leva o pessoal até o início das escadas. Eles não tem horário, saem no momento em que enche e em seguida já vem o próximo. A partir disso é só caminhar até as quedas.  Olhando as fotos parece somente um monte de água rsrsrs, mas somente olhando de perto se entende porque tantas pessoas viajam milhares quilômetros de avião para chegar até aqui. 







Lado argentino:

A maioria dos brasileiros que visita as cataratas não vai ao lado argentino. Uma pena, pois é igualmente lindo.  Além de ser maior o lado argentino tem mais de 2km de passarelas, dá pra ver o lado brasileiro inteiro por vários ângulos. Infelizmente a bateria do meu celular acabou e tenho poucas fotos desse dia. Eu queria ir até a Garganta do Diabo de trenzinho, mas a fila era tão grande que dava voltas ao redor do banheiro.





Como eu havia lido que o passeio de barco no lado argentino era mais barato e emocionante, decidi não fazer o Macuco Safari no Brasil e optei pelo Aventura Nautica na Argentina. Eu comprei os ingressos na rodoviária de Puerto Iguazu, mas  pode comprar no parque também. O passeio previa uma parada na Isla de San Martin, mas por algum motivo estava fechada. Então só tivemos o barco a 200 km/h e quatro jatos de cascata na cabeça, literalmente. E não adianta colocar capa de chuva, vai se encharcar de qualquer jeito, é melhor ser feliz e já ir de cara tomando um banho nas cataratas.



Preços: 
Entrada Cataratas do Iguaçu (Brasil): R$40,00.
Entrada Cataratas do Iguaçu (Argentina)AR$ 250.
Aventura Nautica: AR$450.

Como chegar...
De Foz do Iguaçu para as Cataratas brasileiras: pegue um ônibus na Avenina Paraná (centro) ou no terminal de transporte urbano, eles param em frente ao parque .Esse mesmo ônibus para também no aeorporto. R$3,20 
De Puerto Iguazu para as Cataratas argentinas: no terminal de Puerto Iguazu há onibus para ambos os lados das cataratas. AR$130 (ida e volta).
De Puerto Iguazu para Foz do Iguaçu: os ônibus saem do terminal de Puerto Iguazu e param em qualquer ponto de ônibus em Foz do Iguaçu. AR$20 ou R$5,00.


sábado, 22 de agosto de 2015

Resumindo Córdoba - parte 2

Uma coisa que nunca estranhei em Córdoba foi a comida, é bem parecida com a brasileira ( pelo menos a do sul), mas sem tanta variedade. A cidade é lotada de bares e restaurantes, difícil é escolher onde comer. É bem típico pedir em casa ou sair para um dos paseos ou restaurantes e comer empanadas, lomitos, pizza, milanesa, beber uma quilmes ou Fernet com coca-cola. As pizzas não têm aquela borda horrorosa de catupiry e são bem mais finas. E não tem rodízio ou pizza doce. As empanadas são pasteis assados, mas um pouco menores.
Obs: a maioria das fotos não é minha, eu não tinha costume da fotografar a comida ( quando lembrava ela já tinha sumido ahhaha), e eu tinha um celular com uma câmera horrorosa:-P.

Os lomitos são sanduíches tradicionalmente feitos feitos de lombinho, mas pode-se achar em várias sabores. O que não muda é o tamanho enorme e oval.

As milanesas são bifes à milanesa com farinha e ovo, mas são assados e não têm aquela casca mole e gordurosa, são crocantes por fora.

O Fernet misturado com coca é a bebida mais comum. Eu tomei só uma vez, ô coisa amarga! A cerveja Quilmes eu não cheguei a provar, mas é bem comum também.

Heladerias
Esqueça os sorvetes que você já comeu no Brasil, é gelo com corante ahahha. A melhor "heladeria" de Córdoba é a Caseratto, com várias filiais espalhadas pela cidade. Além de sorveteria é uma padaria também. Tem um número infinito de sabores envolvendo doce de leite...com nozes, banana, merengue.  Um pote de 250 gr com três sabores custava 27 pesos (R$10). Pode parecer caro mas é muito sorvete, eu levei o pote pra casa algumas vezes porque não consegui comer tudo. Outra sorveteria excelente é a Grido, que também tem em outras cidades e no Chile.
Sorvete que dá até pena de comer, na Grido em Mendoza.
Panaderias

Várias padarias em Córdoba têm vitrines, o que torna mais difícil não entrar, mesmo sem fome ahhah. As padarias onde eu mais ia eram a Lapana e a Del Pilar. Vou fazer uma lista das coisas de padaria que mais sinto falta:

Medialunas e facturas: medialunas são como croissants, mas sem recheio. Tem uma massa fina meio crocante por fora. As facturas são iguais aos croissants, com recheio de doce de leite ou creme, e a massa não é dura e grossa como os croissants que eu como no Brasil. 
Facturas e medialunas da Lapana

Criollitos: são pães bem mais salgados do que o normal, crocantes por fora.
Imagem: http://staticvosf5a.lavozdelinterior.com.ar/sites/default/files/styles/
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Alfajor: também tem no Brasil mas lá tem em qualquer esquina, não precisa nem procurar pra comprar. Há os mais baratinhos feitos de bolacha e chocolate sebento e de maisena com coco ralado por fora. Mas os melhores são os de massa de bolo.

Imagem: https://salgadinhosmaissabor.files.wordpress.com/2011/04/dsc07836.jpg
Madalenas e Pepas: são cupcakes, que eles também chamam de muffines. No mercado vendem em pacotes com 10 unidades, algumas com recheio. As pepas são bolachinhas com cobertura de membrillo (mesmo gosto da goiaba), um pacote sumia de uma vez só!
Milhojas: massa folheada (hojeada) como a do Brasil, mas com chocolate e coco ao redor. 

E há outras coisas das quais eu não me recordo o nome, na verdade eu comprava e não sabia o que era. A bolachinha vermelha é uma Pepa e a outra é uma gota de chocolate com doce de leite dentro.

Mate e tererê

Os argentinos são movidos à mate, em todo canto tem gente com a cuia na mão andando na rua, trabalhando ou sentado em uma das várias praças. E eles são solidários com o mate, passam a cuia para todo mundo que tiver perto, você toma naquele canudinho onde 30 pessoas já tomaram também ahahha.
O tererê é gelado, feito com erva mate e suco em pó (gerlamente tang) de qualquer sabor. Mas não é bebido na cuia, mas eu qualquer copo e com aquele canudinho.
Imagem: http://1.bp.blogspot.com/-dauadeqLUkw/UTeh-rbHStI/
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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Resumindo Córdoba - parte 1

Neste mês faz dez meses que voltei da Argentina, parece que foi ontem que eu havia me inscrito no site, não sabia nada da AIESEC e não fazia ideia de para qual cidade eu iria parar. Ontem fui no  segundo Global Village da AIESEC falar sobre o meu intercâmbio. Baseando-me no que as pessoas mais me perguntavam, vou fazer um resumo sobre a cidade, cultura, pontos turísticos, etc.

Como é a cidade:

Córdoba é a segunda maior cidade da Argentina, e fica na província que tem o mesmo nome. Abriga muitos estudantes universitários, que vem para estudar principalmente na Universidade Nacional de Córdoba. O centro histórico é caracterizado pela arquitetura espanhola e a herança católica. 

Igreja dos Capucchinos
Colégio Nacional Monserrat


Dentro do centro histórico está a Manzana Jesuítica, que engloba a Capilla Doméstica, o Colégio Monserrat, a Igreja Companhia de Jesus e a antiga sede da Universidade Nacional de Córdoba. Manzana é um espaço urbano delimitado por ruas, como uma quadra. Nos arredores há feiras de artesanato.


Perto da Manzana Jesuítica fica o Cabildo, que já assumiu várias funções desde que foi construído, como administrativa, econômica e como prisão durante a ditadura. Hoje é uma área reservada às artes principalmente.


Ao lado do Cabildo fica a igreja central da arquidiocese de Córdoba, a Catedral de Córdoba, que fica mais bonita ainda iluminada no final da tarde.

Outra característica da cidade são as "cañadas", canalizações do rio, com cerca de 3 Km de extensão.
O que os cordobeses fazem por lá...

Li em muitos lugares que Córdoba tem uma vida noturna agitada. Isso eu percebia pelos bares lotados já no final da tarde, mas não saí para festas para poder confirmar o quão agitado é. A maior parte dos lugares para onde eu saía envolvia comida ahahh. 
Há varias praças e "paseos", que são nada mais do que lugares para passear. O mais conhecido é o Paseo del Buen Pastor, em frente à Igreja dos Capucchinos. Sempre tem gente por lá o dia todo bebendo mate, comendo, tirando uma sesta.

Apesar de não ter saído "pra balada", as músicas que eu mais ouvia pelas ruas eram reggaeton, é o "funk" daqui. Eu não fazia ideia de que isso existia, tem um cantor que ficou meio conhecido no Brasil uns dez anos atrás com a música Gasolina. Reggaeton não tem nada a ver com o reggae da Jamaica, tem suas raízes  no Panamá e começou a fazer sucesso em 2004. Outra banda conhecida é o Calle 13, de Porto Rico. E claro, conhecem muita coisa do Brasil como Anita, Ivente Sangalo, Michel Teló e seus derivados. Não ouvi nada de tango aqui, o forte é em Buenos Aires. 
O local onde eu fui ouvir música várias vezes é o Teatro San General Martín. Eu nunca havia entrado em um teatro com aquelas sacadas, cortinas e tal. A cantora da foto é a portuguesa Carla Caramujo, com a orquestra de cordaS da província de Córdoba.


Além do Buen Pastor há outros paseos, que ficam "escondidos". Algumas ruas têm portas onde você entra e...tcharam! Elas dão entrada para galerias com várias lojas e restaurantes. Parecia que caí em um buraco para outro mundo ahahha. O interessante nesses lugares é que você pode comprar coisas úteis, sem ser aquela cacarecada pra turista, que muitas vezes fica um mês na estante da sala e depois vai parar numa caixa.




Nos sábados, domingos e feriados há o "paseo de los artesanos", duas ruas que à noite são fechadas por barracas com artistas dos mais variados tipos, mercado de pulgas, alfajor e outras coisas. 

domingo, 16 de agosto de 2015

20 fatos sobre a Argentina

1. No espanhol falado na Argentina a letra y tem som de uma mistura "jota com x". Então se come maxonese ( maionese), pratica xoga ( yoga) e toca teclado da xamaa (Yamaha).

2. Acha os motoristas brasileiros malucos? Em Córdoba pode ter 30 pessoas na faixa de pedestres, eles não param. Então sempre algum corajoso meio que simula que vai "se atirar" na frente do carro( sério ahahah), aí os motoristas param. Até quando fecha o sinal eles hesitam em parar.

3. Na Argentina tem mulher dirigindo ônibus, bonde táxi, em uma quantidade que nunca vi no Brasil.

4. O Brasil exporta muita coisa da sua cultura - principalmente música - para América do Sul, principalmente a Argentina. Conheci pessoas que sabiam cantar aquela música dos Tribalistas "eu gosto de vooocê", sério ahahah. E também  um boliviano que sabia o que era Saci-pererê. Mas sei lá porque não conhecemos quase nada deles e dos demais países.

5. A cada 10 argentinos que eu conheci, 7 ou 8 há vieram para Santa Catarina! Os destinos mais comuns são Balneário ( que eles chamam de Camboriú), Bombas, Bombinhas, Jurerê e praia dos Ingleses.

6. Os argentinos são movidos à mate, já vi pessoas às 07:00 no ponto de ônibus com uma garrafa térmica numa mão e a cuia de mate na outra.

7. Além do matte tem o tererê, feito com tang e erva mate.

8. Caipirinha só é feita de vodka, a "caipiroska".

9. Há academias com aula de dança que fazem coreografia com "Ai se eu te pego".

10. Nos prédios ontem não há porteiro ou segurança ( como o prédio onde eu morei), pode-se fazer rave até 06:00 em qualquer dia da semana. Mas se tiver segurança você pode-se ser "convidado a se retirar" por falar alto demais, como nós fomos kkk.

11. As pessoas se esforçam mais do eu que eu pensei que fariam para entender portunhol.

12. Não vi nenhum banheiro com box, todos tem aquela cortina de plástico que molha o banheiro todo e fica grudando enquanto você toma banho. E sempre tem um rodo para tentar secar a piscina que fica depois.

13. Na Argentina gaúcho é o nome da pessoa que trabalha no campo. Alguns pensam que gaúcho é todo mundo que nasce no sul do Brasil...:-(. Eles também usam boina, bombacha e aquele lenço no pescoço.

14. A torta de bolacha é colocada no freezer e com muito doce de leite, dá até um troço de tão doce. 

15. "Asado" é qualquer carne colocada no forno, como frango assado. Churrasco também é chamado de asado. Não há a famosa "televisão de cachorro" do Brasil, ia fazer sucesso aqui.

16. Quando eu falava que no Brasil fazem pizza doce, 90% das pessoas ( argentinos e pessoas de outros países) achavam uma coisa horrível. E os que vieram ao Brasil e comeram feijoada e arroz acharam a mistura muito esquisita.

17. Geralmente qualquer tipo de comida não vem em mais de duas versões. O croissant - que chamam de factura - existe somente com doce de leite e creme. No Brasil tem de frango, chocolate, queijo, presunto, etc. A única coisa com variedade eram as empanadas. 

18.  Eles acham o buffet de sorvetes e o rodízio de pizzas do Brasil ideias incríveis. Buffet ( de almoço, não sorvete) eu só vi em um lugar, e chamam de tenedor libre ( garfo livre). 

19. Come-se somente um ou dois tipos de comida no almoço, ao contrário daqui, onde fazem salada, carne, macarrão, arroz e outras coisas.

20. A temperatura dos chuveiros é regulada com dois registros ( um quente e outro frio). Eu não consegui aprender a equilibrar os dois na primeira tentativa, ou a água ficava fervendo ou muito gelada. E depois de um tempo a temperatura muda e precisa-se mexer nos registros de novo, e de novo...

Algumas horas em Mendoza - Argentina

O ônibus de volta a Córdoba fazia conexão com Mendoza. Como eu tinha 3 horas de espera na rodoviária de Mendoza, resolvi dar uma volta no centro da cidade. Parando na rua pra pedir informação ouvi mais alertas sobre assalto do que as respostas das perguntas que fiz. Seguindo um mapa peguei um ônibus até a Plaza España. A praça é realmente grande e não consegui andar por tudo. O calor estava insuportável, e o pessoal usava esses chafarizes para se refrescar. O calor era tanto que dava vontade de se jogar na fonte ahaha.
Eu sentei em um dos gramados para matar tempo, e já veio um cara me falar pra eu parar de mexer na câmera que um turista havia ficado sem nada meia hora atrás. Aí eu fiquei pensando que quase dei match com essa cidade, e senti um alívio por ter ido pra Córdoba ahahah. Em toda a minha vida recebi menos avisos de assalto do que em uma hora nessa cidade. Acabei voltando mais cedo pro terminal só por precaução mesmo. Mas não antes de parar nas barracas de guloseima mais lindas e fofas que já vi na vida.
Cheguei em Córdoba sábado, 07:00. No ônibus o meu sono da noite era interrompido a cada duas horas e fui obrigada a dormir mais em casa e passar as minhas últimas horas na Argentina para no domingo às 03:00 am pegar o avião para terminar minha aventura, que só está começando ahaha. Já estou guardando dinheiro para a próxima viagem.

A experiência é somente sua

Eu estava prestes a receber um diploma e comecei a olhar para trás e pensar em tudo o que eu fiz ou deixei de fazer. Será que tudo foi porque eu realmente quis? Ou estava indo na maré e levando sempre na mesma porque as coisas têm que ser assim ou é assim que todo mundo faz? Posso dizer que nunca "tive tempo de tirar um tempo " para pensar no que eu realmente tinha vontade de fazer. Eram tantas expectativas sociais para cumprir - notas altas no boletim, passar no vestibular, conseguir emprego, ter carro,dinheiro - que eu perdi a noção das minhas expectativas. E ainda empregos que eu havia conseguido até aquele momento não eram aquela coisa toda, eu estava pegando experiência. 



A faculdade passou e eu estava no último semestre estudando o que eu gosto. Porém estava tudo muito morno, eu sou flautista com formação em banda e orquestra e estava trabalhando com musicalização infantil e sala de aula, o que definitivamente não era o que eu queria. Estava faltando algo maior do que eu pensava fazer, que superasse as minhas expectativas. Eu estava me sentindo meio assim:

Andorinha lá fora está cantando:

— "Passei o dia à toa, à toa!"

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!

Passei a vida à toa, à toa . . .

(Manuel Bandeira).



Apresentando: AIESEC, Bruna; Bruna, AIESEC


Em uma ensolarada e calorosa sexta-feira eu estava na biblioteca da faculdade e ouvi uma mulher falando ao celular, marcando uma entrevista para a AIESEC. Como  estava com o notebook, joguei no google. Passei o final de semana lendo blogs de gente que foi e a página da AIESEC para se inscrever e marcar uma reunião. Como quem não quer nada, preenchi o formulário e enviei. Segunda-feira me ligaram para marcar um horário. 
Eu sempre quis morar em outro país, mas não queria ir para os EUA, Canadá, Inglaterra, todas as agências de intercâmbio sempre têm esses mesmo destinos. A esses lugares quero ir em outro momento, não agora. E descobri algo que poderia me levar a destinos digamos, "mais incomuns": a AIESEC. 
Tive duas reuniões, e aí veio a pergunta: vou ou não vou? O salário que eu ganhava era uma merreca e muito instável, dependia muito de os meus alunos não desistirem da aula, senão eu recebia cada vez menos. Eu trabalhava em três lugares, mas quando me formasse já não teria mais o emprego que me pagava 80% do que eu ganhava, pois era um estágio. Resumindo: eu não tinha nada a perder indo viajar logo depois da formatura. 
Eu estava com muita vontade de ir para a Rússia ou Indonésia, mas tinha menos de R$ 1.500 no banco e não juntaria muito mais do que R$2.000 até me formar ( eu estava no último semestre) . Pois é, e agora? Esperar até juntar no mínimo R$5.000, que é o preço aproximado somente da passagem, ou ir logo depois da formatura para um lugar que coubesse no meu bolso? Fiquei com essa dúvida por algumas semanas. Havia duas possibilidades: esperar até juntar o dinheiro, e então eu viajaria em dezembro ou depois. Ou ir a outro país na América do Sul, que até aquele momento era pra mim um lugar meio sem graça por ser perto, queria ir bem mais longe.

Mas...se eu esperasse, com certeza iria me fixar em um emprego e ficar adiando cada vez mais. A  pessoa que fez a primeira entrevista comigo disse que se eu esperasse ter dinheiro para ir à Ásia acabaria desistindo, como acontece com muita gente. "Escolha pela experiência, não pelo lugar". Então assinei o contato, paguei a taxa e agora já era! Ahhah. Já estava dentro, só faltava conseguir uma vaga. 
Eu passei muitos anos pesquisando destinos, lendo histórias, imaginando como seria quando fosse a minha vez. Mas essa vez nunca chegava, sempre tinha algo me impedindo, faculdade emprego, dinheiro, etc. Mas por um momento o meu cérebro estava em outro lugar e acabei fazendo a inscrição sem pensar. Às vezes e gente precisa de uma atitude sem noção para ter o pontapé inicial para algo incrível.

Destino improvável, experiência inacreditável:

Entrando no sistema da AIESEC e pesquisando os países possíveis, vi que tinha cidades das quais eu nunca havia ouvido falar antes. Como eu não iria onde eu realmente queria mesmo, não escolhi o lugar, fui pela experiência. O projeto escolhido foi por afinidade com o que eu teria que trabalhar.  Eu estava cheia de dedos com a América do Sul, principalmente a Argentina. Mas, por ironia do destino o projeto pelo qual eu mais me identifiquei acabou sendo no lugar onde eu menos esperava ir, em uma cidade da qual nunca havia ouvido falar. 
Uma semana depois de me cadastrar no sistema estava com a vaga: projeto CooparteKids, em Córdoba. Depois de dar match na vaga do projeto, comprar as passagens e o seguro, parecia que era mentira. Era algo tipo: eu vou me mudar. Caramba! Eu vou me mudar! kkk, não acredito que fiz isso! Agora foi, é só esperar a data da viagem. 

Muita gente pergunta se eu larguei o emprego para fazer intercâmbio. Eu tinha a bolsa do Pibid e a bolsa da banda da faculdade. Ambos eu perderia quando me formasse. Como me formei em agosto, viajei em setembro e outubro. Novembro e um parte de dezembro eu fiz uns bicos substituindo professores numa escola. Fim do ano abriu um seletivo para trabalhar no ano seguinte, fiz essa prova e passei.


Só depois de viajar eu me dei conta de que precisava mais me livrar de tudo do que eu pensava. Morar em outra cidade,viver outro ritmo de vida diferente, trabalhar com pessoas diferentes, lidar com algo desconhecido, enfim, começar tudo outra vez. Mesmo que fosse por só 2 meses. 

A experiência é somente sua, e de mais ninguém. Só você sabe o que foi bom, ruim ou inexplicável. Muitas coisas não terão explicação. Os motivos pelos quais eu larguei as coisas no Brasil e fui parar em outro país por algumas semanas podem não estar claros nem para mim mesma. O que interessa é que eu criei coragem e fui.